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Os Quadrinhos vivem de Bomba!
2Taberneiros e taberneiras! Se você é um molenga fracote, o texto de hoje não é pra você! Na verdade, se você for mesmo assim, talvez o texto seja exatamente o seu ponto de vista. Hoje, a taberna abre espaço pra malhação e fala de muita bomba nos personagens dos quadrinhos!
BOMBA! (para dançar isso aqui, é…)
Quem é leitor dos tipos de quadrinhos do tipo comics ou mangá já deve ter notado esse fenômeno. Todos os heróis podem ter origens tremendamente diferentes, mas no final das contas, sob os colantes (ou armaduras, enfim), todo mundo tem físico fora do comum. São todos fortes, e atléticos, com algumas centenas de deltóides saltando, enquanto bíceps, tríceps e até quadríceps se multiplicam nos corpos. (pensando bem, essa descrição soou bastante abaitolada) Mas, pra que isso? Porque esses caras tem de ser assim pra serem super-heróis? É requisito pra entrar na Liga da Justiça ser bombadinho e ter barriga de tanquinho? Será que os Vingadores só aceitam halterofilistas? Na verdade, isso tem uma raiz cultural.
Músculos Origins
Nem todo mundo sabe, mas o visual dos heróis que gostamos tem origem em atrações esportivas e circenses. A origem da cueca por cima das calças como clichê também vem daí. Os maiores exemplos de força que impressionavam as pessoas desde o início do século passado vinha dos halterofilistas e esportistas que erguiam enormes pesos. Esse pessoal se apresentava em eventos esportivos ou atrações culturais usando malha coladinha (ui!) e protetores pra região genital, o que acabava parecendo cueca por cima da calça. O motivo da proteção extra era mesmo saúde, já que erguer aquelas quantidades de peso poderia trazer sérios problemas, como hérnia, por exemplo. Fora isso, todos eles eram estupidamente fortes, e isso ficava visível o tempo todo.
Aí você se pergunta: ta, mas esses caras treinavam pra isso. E nos quadrinhos, todos os heróis treinam igual eles?
Força = músculos?
Certas coisas não tem explicação. A gente até admite que o Superman tem superforça, mas como ele treina pra ficar musculoso daquele jeito? O Batman é um cara comum que treina e ergue ferro pra isso, mas e o azulão? O Aranha já foi retratado como forte, depois deram um jeito de deixarem o cara atlético, já que saltar, pular e correr, pelo menos, definem o físico do cidadão. O Wolverine também treina, mas e quando os músculos saltam em figuras como Xavier, que tinha contornos até nas PERNAS??? E o Magneto musculoso? Será que é porque ele levanta ferro? (TUM DUM TSS!). É uma questão estética que definiu um estilo. Hoje em dia, isso não está tão em voga assim. O Homem-Aranha Ultimate é um muleque sem músculos e mirrado, do jeito que Ditko tinha imaginado. O Noturno, dos X-Men, também tem sua magreza mais acentuada. O que vocês acham disso? Preferem como está, ou são a favor de físicos mais reais? Comenta aí! Semana que vem, vamos falar das cocotinhas e tetéias!
Mangá vs Comics, e o jeito de se fazer histórias
16Taberneiros e taberneiras. Abram seus corações e falem pra mim: vocês preferem acompanhar personagens com histórias sem fim ou séries fechadas, com começo, meio e fim? De certa forma, o tema do texto de hoje é a eterna batalha entre os fãs de comics e os de mangá.
Histórias sem fim. Ou não.
As coisas funcionam mais ou menos assim: você cria um personagem, e cria uma história para esse personagem. Nessa história, seu personagem conhece outros personagens enquanto tenta resolver um conflito, ou atingir um determinado objetivo. Com este objetivo atingido, e seu personagem já devidamente desenvolvido, a história termina, certo? Bom, só se você quiser, claro.
A premissa da história com começo, meio e fim, é normalmente utilizada em histórias em quadrinhos orientais, como o mangá. Já os personagens que vivem diversas histórias e vão se prolongando com o tempo podem ser representados em sua maioria, pelos comics. Enquanto histórias como Evangelion, Samurai X e One Piece são contadas em um numero X de volumes, os mutantes X-Men, os heróis da Liga da Justiça e Vingadores, por exemplo, tem suas histórias contadas até hoje, desde seu surgimento lá no meio do século passado. Qual estilo é melhor? Qual é pior? Existe essa diferenciação?
Há quem defenda que histórias com começo, meio e fim, predeterminados são melhores, pois exploram o potencial da história em si, alem de seus personagens, mostrando que eles foram feitos, exclusivamente, para aquela história. E nem só de oriente temos exemplos assim. O próprio Alan Moore pode ser um exemplo com seu Watchmen.
Existe, contudo, aqueles que defendem a evolução contínua do personagem, que pode ser melhor explorada com arcos de histórias que vão perdurando por nossas existencia. A maioria dos personagens dos comics americanos é assim. O Homem-Aranha deixou de ser um adolescente franzino e tímido, e se tornou um fotografo, ou professor, se casou, quase se separou, melhorou, se fortaleceu, ficou mais autoconfiante e mais adulto. Uma evolução natural com o passar dos anos, mas que não foi contada em uma única história. O Superman cresceu, foi pra cidade, conheceu Lois Lane, Lex Luthor, se tornou importante para o mundo, casou, separou, voltou, viajou pra outros mundos, e ganhou cada vez mais reputação. Enfim, temos muitos exemplos.
É lógico, que, mesmo entre aqueles que defendem as histórias únicas, existe uma curiosidade de saber o que aconteceria depois de finalizado plot principal. Apesar disso, nem sempre essa continuidade representa uma boa idéia, e a reputação de um personagem conquistada em sua principal história pode ir por água abaixo em sua sequencia. Um bom exemplo é o Cavaleiro das Trevas, obra de Frank Miller, cuja primeira parte é maravilhosa, e a continuação é tão indescritivelmente ruim que nem mais adjetivos podem ser usados.
No final, este humilde colunista acha, o que importa é a diversão que aquele personagem te traz. Mesmo que ele só tenha aquele conto pra brilhar, ou tenha milhares de histórias, o sentimento ao ler deve ser bom, ou nem história nem personagem valem a pena.
O nome dela é Pandora!
0Clientes da Taberna mais legal da podosfera, tudo bem? Nessa semana, não vou bancar o fotógrafo, mas vou fazer uma profunda revelação! (Tum dum tss!). Na verdade, não fui eu a fazer isso, mas a própria DC, que finalmente disse quem era a tal mulher de capuz que via a tudo e todos no Universo DC pós-reboot.
Será que vocês lembram quando eu falei dela? Foi naquele texto em que falei do reboot da DC. A tal mulher era um dos principais mistérios da nova realidade, já que aparecia em tudo que era canto, sempre coberta por um capuz, usando tons de vermelho, como uma figura misteriosa que a tudo e todos observa. (tipo um Vigia, só que menos cabeçuda, sacou?)
Inventaram mil teorias, e algumas delas até se aproximaram da realidade, mas o fato é que a mulher, cujo nome é Pandora (hmm, referencias gregas, sei não…), nada mais é do que A FILHA DO DARKSEID! Mas como assim, cara? Filha do Darskseid? Quem é essa menina? E principalmente QUEM FOI A LOUCA A TER UM FILHO COM O DARKSEID? Calma lá, negada. Uma coisa de cada vez!
A DC não disse isso oficialmente, mas ficou claro à medida que as histórias do Universo DC foram se desenrolando. Mais do que simplesmente a filha de um dos maiores vilões que a DC já concebeu, Pandora tem uma característica bastante simpática, que dificilmente é coisa boa: ela é capaz de construir realidades e universos inteiros (tipo um Franklin Richards, só que de saia), e é uma entidade primordial, tão ou mais poderosa que até o Espectro!
Aparentemente, a moça não quer exclusivamente observar esse novo universo DC que ela acabou de criar, e vai interferir demais nele (muito mais que todas as vezes que o Vigia prometeu e não cumpriu, com a Marvel). Obviamente, as outras entidades estupidamente poderosas da DC, como o Vingador Fantasma, não vão deixar a menina simplesmente brincar por aí de desconstruir e reconstruir mundos.
Agora, serião: Geoff Johns é um gênio. Um gênio safado, mas ainda sim, um gênio. Com uma entidade como Pandora em suas mãos, brincando de Deus, ele pode fazer o que bem quiser nesse universo, alterando tudo que conhecemos, em nome da curiosidade da menina. Fica muito claro, pelo menos para este escriba que vos escreve, que através de Pandora, a DC pode estender e dar vida longa a esse novo universo, ou se as coisas não derem certo, retornar ao antigo status quo e tentar reaver todo o tempo em que brincaram de viagens no tempo. Isso fica ainda mais forte em se tratando do universo DC, em que o conceito de multiversos voltou à tona, tão forte (e confuso!) como sempre.
Não dá pra saber se Pandora é ou não uma vilã, como o pai. Nem dá pra saber até que ponto ela vai influenciar acontecimentos no universo DC pós-reboot, ou seja, até onde vai o dedo dela nas mudanças que ocorreram, ocorrem ou ocorrerão para a Liga da Justiça, Titãs e cia, o que não deixa de instigar a curiosidade do leitor.
Contudo, pelo menos, já sabemos quem foi a responsável por tirar a cueca por cima da calça no uniforme do Superman.
Sobre o amor nos comics
1Amigos e fieis clientes desta taberna. Na iminência de um Valentine’s Day lá na terra do tio Sam, e com base na explicação sobre o que ocorreu no reboot do Aranha (coisa que saiu esse mês aqui no Brasil, pela Panini), este colunista sentiu-se impelido a falar do mais abstrato e mais complicado sentimento humano: o amor.
Solidão, solidão…
Sim, meus caros. Sabemos todos nós que nossos heróis e heroínas vivem vidas tão conturbadas, cheias de ação, aventura e batalhas epopéicas, de modo que não tem oportunidade pra vivenciar o puro e simples amor. Uma máxima que torna a solidão vencedora, na maioria dos casos, é a de que o personagem não pode ter alguém em sua vida, ou essa pessoa correria muitos riscos, dada a vida do nosso herói. O resultado de uma vida a dois quando um dos lados costuma trajar colante e sair por aí pra salvar o mundo é, quase que invariavelmente, enterrar um ente querido, tempos depois, e fica ainda mais dolorido quando esse ente é justamente a parceria de sua vida, seu amor.
Aconteceu assim com o Homem-Aranha, e sua amada Gwen Stacy. Foi assim com o Batman, e a estonteante Silver St. Cloud (que não morreu, mas o relacionamento terminou brusca e dolorosamente); com Wolverine e a inesquecível Raposa Prateada e com diversos outros heróis. Pensando nos quesitos que levam alguém a sair pela noite causando terror no coração dos vilões, e nos fundamentos pelos quais esses caras evitam relacionamentos sérios, conclui-se que: ELES ESTÃO ABSOLUTAMENTE CERTOS!
Ou não.
Amores imperfeitos
Se o sentimento mais complicado na vida de todo ser humano é o amor, nos quadrinhos, as coisas não são diferentes. O mais divertido e curioso é ver como esse sentimento muda os personagens e desfaz os mitos que acabamos de falar. Deixando de lado um pouco o ponto de vista do herói, e pensando como a pessoa ao lado dele, fica ainda mais difícil aceitar a situação. Você permitiria que uma pessoa que você ama fosse, todas as noites, arriscar a vida, lutar contra criminosos insanos, apanhar mais que um condenado, sem ganhar nenhuma recompensa por isso? Difícil, não é?
Nesse ponto, aquele sentimento abstrato e confuso chamado amor faz com que tomemos decisões difíceis, e é por amor que a maioria das companheiras de nossos heróis suportam a difícil tarefa de rezar e aguardar que a pessoa que elas amam volte pra casa são e salvo. Acontecia com a Mary Jane, acontecia com a Lois (antes dos reboots), e com todas as outras namoradas ou esposas de super heróis. E só acontece porque essas corajosas e bravas companheiras aguentam, dia apos dia, noite apos noite, a provação de viverem eternamente preocupadas com aqueles que elas amam.
Pensando bem, esse tipo de sentimento, e as coisas que ele nos obriga a passar não são tão coisa de ficção assim. Você, leitor, pare e analise o mundo à sua volta. Pense em todas as esposas e esposos dos justos e honestos policiais (que não recebem, nem de longe, o suficiente pelo trabalho que fazem) e os valorosos e incansáveis bombeiros, que arriscam suas vidas para salvar aqueles que precisam de ajuda.
Sentimentozinho complicado esse tal amor…
O Final que não é o Fim.
9
De volta depois de um longo, tenebroso e esquisito período de ausência, vamos falar aqui na Taberna sobre uma característica que é bastante comum em se tratando dos quadrinhos de super heróis americanos: a morte.
Receita pra fazer um herói
Antes, contudo que a gente possa falar sobre a morte, vamos entender melhor o conceito do heroísmo, algo fundamental pra entender o ciclo pelo qual vivem os comics. Segundo uma das teorias mais bem aceitas a respeito do heroísmo, o indivíduo que vem a ter essa característica, o herói, precisa passar por uma provação. Esse desafio, normalmente associado a uma perda, ou a algum fato extremamente marcante dentro do contexto de sua história, vai moldar o herói que realizará os feitos impressionantes. Maiores informações com um tal de Joseph Campbell, autor de algumas obras como “O herói de mil faces” e “O Poder do Mito”.
Pois bem. Estamos cheios de exemplos disso. Desde o nerd Peter Parker que perde seu tio e figura paterna Ben Parker, além da primeira namorada (Gwen Stacy), ao Batman, que presencia a morte de seus pais (a imagem que abre este post é mais que simbólica. É icônica). Superman nem conheceu os seus, e até mesmo o Wolverine busca seu lugar no mundo enquanto tenta entender tudo que aconteceu com sua cabeça e sua vida.
Contudo, o herói não é eterno. Os seus feitos podem perdurar e inspirar, mas ele não. Heróis morrem. Mas, no caso dos quadrinhos, heróis morrem. E ressuscitam.
Cômico, não fosse trágico
A indústria responsável pelos comics parece ter uma severa dificuldade em apostar em algo novo. O resultado é a manutenção (e também algumas poucas reciclagens) dos valores e de personagens lançados há dezenas de anos atrás. Não que esses personagens não tenham seu charme e não sejam emblemáticos, mas há pouco de novo nesse mercado. E quando as coisas não ficam novas, elas cansam, tal qual um ciclo de um produto no supermercado, que é muito bem visto e divulgado e consumido em seu lançamento, para logo depois vir a perder aos poucos o interesse do público.
Simbolicamente, nesse momento, temos o começo do fim. Mas quando os executivos vêem que seu personagem e sua histórias estão perdendo força (e consequentemente, eles estão perdendo dinheiro), nada mais poético do que a morte em si. Os personagens morrem, e o mundo precisa aprender a se ver sem eles. Não só o mundo da história, mas o leitor precisaria compreender como seria estar sem aquilo que ele tanto valorizou, e de uns tempos pra cá, passou não dar mais tanta bola.
Nesse momento, as grandes empresas conseguem recuperar a tão necessária atenção de seu público, anunciando o destino derradeiro de personagens tão queridos. Foi assim com o Homem-Aranha, com o Batman, com o Lanterna Verde, com a Mulher-Maravilha, com os X-Men quase todos, e com dezenas de heróis. Mega eventos anunciam o fim, acontecimentos até então impensáveis acontecem, e depois tudo acaba.
Tudo acaba uma pinóia! Depois de observarmos, pasmos, nossos queridos personagens partirem, e achamos que o mundo passará a ser mais sombrio de agora em diante, os dias se vão mais rápido, e nem bem o luto acabou, alguma história mirabolante e cada vez mais estapafúrdia traz de volta aquele que nunca devia ter sumido. Pronto. Fim da crise, e felicidade nerd restaurada. Até a próxima morte, é claro.
Morte essa, que já se tornou um artifício. Apenas mais um elemento na história, sem duvida, sem o impacto que a ela vem associada. Morte que é apenas uma arma de venda, um jeito de conseguir mais e mais dinheiro. E os quadrinhos, que sempre me ensinaram a importância da responsabilidade, espírito de equipe, compartilhamento e outros incontáveis valores, passou a banalizar uma coisa que todos nós um dia já vivemos, estamos vivendo ou viveremos: a perda de alguém.




























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