Posts tagged Homem Aranha
Novas (e nem sempre melhores!) origens.
0A indústria dos quadrinhos nos EUA passa por ciclos no qual precisa readaptar seus personagens para os novos tempos. Às vezes, essa mudança é brusca e pega todo mundo desprevenido. Em outros momentos, é gradual, de modo que mal percebemos esse tipo de coisa. Exemplos não faltam: O Superman deixou de ser tão extraordinariamente poderoso, o Homem-Aranha passou a ser um garoto comum, um geek que também gosta de química e física, dos dias de hoje, e não um nerd afetado como antigamente, o Batman teve sua visão sobre o mundo aprofundada em nova origem, e por aí vai.
Nos cinemas, as coisas ocorrem de forma parecida. Batman é o herói que mais passou por essas mudanças, se reinventando cada vez que aparecia na tela. Os últimos filmes, que indicam se fechar em uma cronologia, são exemplos que, dizem os fãs, os que mais se aproximam da essência do personagem. O morcego já havia sofrido uma transformação nos derradeiros e mitológicos filmes de Joel Schumacher, depois da visão sombria colocada no ar por Tim Burton. Aí veio Nolan, e refez tudo de novo. Coisa igual está pra acontecer com o herói mais popular da Marvel Comics, no que parece ser o reinício do herói nos cinemas.
Sam Raimi mostrou que era possível aplicar os efeitos do aracnídeo se lançando entre os arranha-céus de Nova York com uma história sobre um adolescente amadurecendo em um mundo que nem sempre cooperava. Tobey Maguire se tornou o rosto do Aranha sob a máscara e os filmes renderam milhares e milhares de dólares para a Marvel e para a Sony. Mas isso aconteceu há mais de dez anos. Parte do público cresceu com essas histórias, mas novos fãs estão surgindo, e as coisas podem ficar datadas.
A Sony está apostando na reinvenção da origem de seu personagem mais lucrativo, colocando Andrew Garfield no papel de um Peter Parker mais piadista, mais científico, menos traumatizado com o Tio Ben e mais curioso sobre seus pais. Marc Webb, o diretor, está pisando um terreno muito perigoso. Não precisa ser nenhum especialista em quadrinhos pra saber que Ben Parker é o cerne fundamental do comportamento de Peter, mas a julgar pelos trailers, que trazem o Lagarto como principal antagonista, parece que Parker está muito mais interessado na história de seus pais do que em seu próprio desenvolvimento. O Dr Connors, alter ego do escamoso vilão, parece lançar luz em outra questão espinhosa, que seria a própria origem do Aranha.
O último trailer lançado sobre o filme parece querer fazer o espectador e fã acreditar que os pais de Peter estavam envolvidos em química avançada, de modo que causaram alguma “coisa” no menino. Essa “coisa” seria uma pré-disposição para o que a picada da aranha despertaria. Peter já teria essa configuração em seu organismo pronta para receber super poderes. Sim, estamos alterando a origem do Aranha: da casualidade da picada de uma aranha experimental para uma conspiração envolvendo seus pais e pessoas com super poderes.
Embora esse pano de fundo traga preocupação, pelo menos outros elementos parecem se encaixar com mais naturalidade, como o relacionamento muito mais crível entre Parker e a linda da Gwen Stacy, bem como a busca do pai da moça, o capitão de policia George Stacy, pelo mascarado aracnídeo que passou a se balançar por sua cidade. Resta ainda algum tempo para que possamos confirmar se a história “não revelada” procede com as suspeitas deste escritor ou não. Até lá, tudo que se sonha é que a Marvel readquira logo os direitos do Aranha para que possam fazer um filme decente, por mais longínquo e impossível que possa ser esse sonho.
Pra quem ainda não viu o trailer, segue a versão inglês (se alguém encontrar uma versão legendada no Youtube, careça de colocar o link nos comments, valeu?)
Os Quadrinhos vivem de Bomba!
2Taberneiros e taberneiras! Se você é um molenga fracote, o texto de hoje não é pra você! Na verdade, se você for mesmo assim, talvez o texto seja exatamente o seu ponto de vista. Hoje, a taberna abre espaço pra malhação e fala de muita bomba nos personagens dos quadrinhos!
BOMBA! (para dançar isso aqui, é…)
Quem é leitor dos tipos de quadrinhos do tipo comics ou mangá já deve ter notado esse fenômeno. Todos os heróis podem ter origens tremendamente diferentes, mas no final das contas, sob os colantes (ou armaduras, enfim), todo mundo tem físico fora do comum. São todos fortes, e atléticos, com algumas centenas de deltóides saltando, enquanto bíceps, tríceps e até quadríceps se multiplicam nos corpos. (pensando bem, essa descrição soou bastante abaitolada) Mas, pra que isso? Porque esses caras tem de ser assim pra serem super-heróis? É requisito pra entrar na Liga da Justiça ser bombadinho e ter barriga de tanquinho? Será que os Vingadores só aceitam halterofilistas? Na verdade, isso tem uma raiz cultural.
Músculos Origins
Nem todo mundo sabe, mas o visual dos heróis que gostamos tem origem em atrações esportivas e circenses. A origem da cueca por cima das calças como clichê também vem daí. Os maiores exemplos de força que impressionavam as pessoas desde o início do século passado vinha dos halterofilistas e esportistas que erguiam enormes pesos. Esse pessoal se apresentava em eventos esportivos ou atrações culturais usando malha coladinha (ui!) e protetores pra região genital, o que acabava parecendo cueca por cima da calça. O motivo da proteção extra era mesmo saúde, já que erguer aquelas quantidades de peso poderia trazer sérios problemas, como hérnia, por exemplo. Fora isso, todos eles eram estupidamente fortes, e isso ficava visível o tempo todo.
Aí você se pergunta: ta, mas esses caras treinavam pra isso. E nos quadrinhos, todos os heróis treinam igual eles?
Força = músculos?
Certas coisas não tem explicação. A gente até admite que o Superman tem superforça, mas como ele treina pra ficar musculoso daquele jeito? O Batman é um cara comum que treina e ergue ferro pra isso, mas e o azulão? O Aranha já foi retratado como forte, depois deram um jeito de deixarem o cara atlético, já que saltar, pular e correr, pelo menos, definem o físico do cidadão. O Wolverine também treina, mas e quando os músculos saltam em figuras como Xavier, que tinha contornos até nas PERNAS??? E o Magneto musculoso? Será que é porque ele levanta ferro? (TUM DUM TSS!). É uma questão estética que definiu um estilo. Hoje em dia, isso não está tão em voga assim. O Homem-Aranha Ultimate é um muleque sem músculos e mirrado, do jeito que Ditko tinha imaginado. O Noturno, dos X-Men, também tem sua magreza mais acentuada. O que vocês acham disso? Preferem como está, ou são a favor de físicos mais reais? Comenta aí! Semana que vem, vamos falar das cocotinhas e tetéias!
Mangá vs Comics, e o jeito de se fazer histórias
16Taberneiros e taberneiras. Abram seus corações e falem pra mim: vocês preferem acompanhar personagens com histórias sem fim ou séries fechadas, com começo, meio e fim? De certa forma, o tema do texto de hoje é a eterna batalha entre os fãs de comics e os de mangá.
Histórias sem fim. Ou não.
As coisas funcionam mais ou menos assim: você cria um personagem, e cria uma história para esse personagem. Nessa história, seu personagem conhece outros personagens enquanto tenta resolver um conflito, ou atingir um determinado objetivo. Com este objetivo atingido, e seu personagem já devidamente desenvolvido, a história termina, certo? Bom, só se você quiser, claro.
A premissa da história com começo, meio e fim, é normalmente utilizada em histórias em quadrinhos orientais, como o mangá. Já os personagens que vivem diversas histórias e vão se prolongando com o tempo podem ser representados em sua maioria, pelos comics. Enquanto histórias como Evangelion, Samurai X e One Piece são contadas em um numero X de volumes, os mutantes X-Men, os heróis da Liga da Justiça e Vingadores, por exemplo, tem suas histórias contadas até hoje, desde seu surgimento lá no meio do século passado. Qual estilo é melhor? Qual é pior? Existe essa diferenciação?
Há quem defenda que histórias com começo, meio e fim, predeterminados são melhores, pois exploram o potencial da história em si, alem de seus personagens, mostrando que eles foram feitos, exclusivamente, para aquela história. E nem só de oriente temos exemplos assim. O próprio Alan Moore pode ser um exemplo com seu Watchmen.
Existe, contudo, aqueles que defendem a evolução contínua do personagem, que pode ser melhor explorada com arcos de histórias que vão perdurando por nossas existencia. A maioria dos personagens dos comics americanos é assim. O Homem-Aranha deixou de ser um adolescente franzino e tímido, e se tornou um fotografo, ou professor, se casou, quase se separou, melhorou, se fortaleceu, ficou mais autoconfiante e mais adulto. Uma evolução natural com o passar dos anos, mas que não foi contada em uma única história. O Superman cresceu, foi pra cidade, conheceu Lois Lane, Lex Luthor, se tornou importante para o mundo, casou, separou, voltou, viajou pra outros mundos, e ganhou cada vez mais reputação. Enfim, temos muitos exemplos.
É lógico, que, mesmo entre aqueles que defendem as histórias únicas, existe uma curiosidade de saber o que aconteceria depois de finalizado plot principal. Apesar disso, nem sempre essa continuidade representa uma boa idéia, e a reputação de um personagem conquistada em sua principal história pode ir por água abaixo em sua sequencia. Um bom exemplo é o Cavaleiro das Trevas, obra de Frank Miller, cuja primeira parte é maravilhosa, e a continuação é tão indescritivelmente ruim que nem mais adjetivos podem ser usados.
No final, este humilde colunista acha, o que importa é a diversão que aquele personagem te traz. Mesmo que ele só tenha aquele conto pra brilhar, ou tenha milhares de histórias, o sentimento ao ler deve ser bom, ou nem história nem personagem valem a pena.
Obama Feelings
0Clientes fieis da taberna mais querida da podosfera, bem-vindos novamente à sua coluna semanal sobre quadrinhos. Nesta semana, vamos ser pragmáticos, chatos e incômodos (só que ao contrario) ao tratar de um assunto importante, mas não tão valorizado pela nossa cultura. O assunto da vez é política em quadrinhos.
Receio que eu precise comunicar ao leitor o motivo de estarmos tratando de política. Não vou defender partido nenhum, e que isso fique claro. Recentemente, o tão comentado reboot da DC Comics começou a tratar de todo o novo multiverso da editora. Um desses multiversos, a ser melhor desenvolvido sob as letras do renomado autor Grant Morrison, trouxe uma novidade, no mínimo, curiosa. Uma das terras do novo multiverso da DC possui um Superman negro. Até aí, o leitor deve pensar. “Ta, e daí? O objetivo não é ser um universo diferente?” Sim, tão diferente que esse Superman não é somente negro, mas um negro presidente dos Estados Unidos da América. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência?
Obama Feelings
Morrison quis mesmo fazer homenagem a Obama, um presidente que, sem dúvida, tem uma intensa participação na cultura e sociedade americana. Mais que isso, Obama parece ter um apoio muito grande no que se refere à arte seqüencial. Basta lembrarmos que ele não apareceu exclusivamente nessa homenagem do Morrison. A Casa das Idéias, a Marvel, também estampou Obama ao lado de seu herói mais popular, o Homem-Aranha. Difundido e comentado, o presidente está presente no universo das editoras.
E é nesse ponto que chegamos a um questionamento, amiguinhos. Até que ponto a política influencia as histórias que tanto lemos e gostamos? Como diria o Lula: “nunca na história desse país” um presidente foi tão comentado durante seu mandato nas histórias em quadrinhos. Fica ainda mais que claro que as editoras apóiam a política de Obama, e sabemos que nos EUA, a batalha de idéias se concentra em dois grandes pólos: o republicano e o democrata. Este último, do qual Obama é filiado.
É certo que, na maioria dos casos, a presença de Obama (como ele mesmo) dentro das histórias são pequenas homenagens, como um encontro celebre entre o personagem e a figura do presidente. Em outros casos, como aparenta ser o de Morrison, Obama ganha ares mais divinos, e sua participação é muito mais significativa para a história. De qualquer forma, sua influência aumenta no mundo real com sua presença em mais uma mídia, nesse caso, os comics. Afinal, ainda é possível dizer que as grandes editoras (cujos personagens passam ideais e lições de moral) não estão influenciando seu público inclusive no pensamento quando o assunto é política?
Finalizando: e no Brasil, vocês se recordam de algum caso que envolva os quadrinhos e a política nacional? Sem contar as milhares de charges e caricaturas que pipocam nesse meio. Qual o tipo de influência que encontramos por aqui?
Sobre o amor nos comics
1Amigos e fieis clientes desta taberna. Na iminência de um Valentine’s Day lá na terra do tio Sam, e com base na explicação sobre o que ocorreu no reboot do Aranha (coisa que saiu esse mês aqui no Brasil, pela Panini), este colunista sentiu-se impelido a falar do mais abstrato e mais complicado sentimento humano: o amor.
Solidão, solidão…
Sim, meus caros. Sabemos todos nós que nossos heróis e heroínas vivem vidas tão conturbadas, cheias de ação, aventura e batalhas epopéicas, de modo que não tem oportunidade pra vivenciar o puro e simples amor. Uma máxima que torna a solidão vencedora, na maioria dos casos, é a de que o personagem não pode ter alguém em sua vida, ou essa pessoa correria muitos riscos, dada a vida do nosso herói. O resultado de uma vida a dois quando um dos lados costuma trajar colante e sair por aí pra salvar o mundo é, quase que invariavelmente, enterrar um ente querido, tempos depois, e fica ainda mais dolorido quando esse ente é justamente a parceria de sua vida, seu amor.
Aconteceu assim com o Homem-Aranha, e sua amada Gwen Stacy. Foi assim com o Batman, e a estonteante Silver St. Cloud (que não morreu, mas o relacionamento terminou brusca e dolorosamente); com Wolverine e a inesquecível Raposa Prateada e com diversos outros heróis. Pensando nos quesitos que levam alguém a sair pela noite causando terror no coração dos vilões, e nos fundamentos pelos quais esses caras evitam relacionamentos sérios, conclui-se que: ELES ESTÃO ABSOLUTAMENTE CERTOS!
Ou não.
Amores imperfeitos
Se o sentimento mais complicado na vida de todo ser humano é o amor, nos quadrinhos, as coisas não são diferentes. O mais divertido e curioso é ver como esse sentimento muda os personagens e desfaz os mitos que acabamos de falar. Deixando de lado um pouco o ponto de vista do herói, e pensando como a pessoa ao lado dele, fica ainda mais difícil aceitar a situação. Você permitiria que uma pessoa que você ama fosse, todas as noites, arriscar a vida, lutar contra criminosos insanos, apanhar mais que um condenado, sem ganhar nenhuma recompensa por isso? Difícil, não é?
Nesse ponto, aquele sentimento abstrato e confuso chamado amor faz com que tomemos decisões difíceis, e é por amor que a maioria das companheiras de nossos heróis suportam a difícil tarefa de rezar e aguardar que a pessoa que elas amam volte pra casa são e salvo. Acontecia com a Mary Jane, acontecia com a Lois (antes dos reboots), e com todas as outras namoradas ou esposas de super heróis. E só acontece porque essas corajosas e bravas companheiras aguentam, dia apos dia, noite apos noite, a provação de viverem eternamente preocupadas com aqueles que elas amam.
Pensando bem, esse tipo de sentimento, e as coisas que ele nos obriga a passar não são tão coisa de ficção assim. Você, leitor, pare e analise o mundo à sua volta. Pense em todas as esposas e esposos dos justos e honestos policiais (que não recebem, nem de longe, o suficiente pelo trabalho que fazem) e os valorosos e incansáveis bombeiros, que arriscam suas vidas para salvar aqueles que precisam de ajuda.
Sentimentozinho complicado esse tal amor…





























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