Carol
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Filme: Coração Satânico (1987)
9
Esse aqui é para assistir de madrugada, com o mundo em silêncio e, se tiver coragem, apagar a luz.
Coração Satânico (Angel Heart) é todo “anos 80”, a década em que o mundo do cinema estava descobrindo, experimentando e brincando com novas linguagens visuais. Há certa afetação, exagero de ventiladores rodando, velas em escadas e sons de um coração pulsante na trilha, em parte pelo gosto do diretor Alan Parker (Expresso da Meia-noite) por excessos.
Contudo, as imagens carregam a energia do filme e são difíceis de esquecer, implantadas em nossa mente. O filme por pouco não recebe a classificação de X-rated (pornográfico) por uma cena de sexo macabro disponível somente em algumas versões. Depois da retirada de 10 segundos, recebeu a classificação R-rated (maiores de 18 anos) para exibição nos cinemas.
Ambientado na Manhattan de 1955, o filme centra em Harry Angel (Mickey Roarke), um investigador particular sem passado e sem futuro que recebe um novo trabalho: encontrar Jonnhy Favourite, um cantor que tem uma dívida a acertar com o contratante do serviço, o misterioso Louis Cyphre (Robert de Niro).
Atenção para os nomes aqui e para o encontro entre Angel e Cyphre que acontece em um prédio onde há uma igreja. Somente pela apresentação visual de Robert de Niro, percebemos que há algo muito errado.
Como precisa de dinheiro e porque está intrigado, Angel vai à Poughkeepsie, Coney Island e New Orleans, quando o filme evolui para um ambiente mais estranho, sombrio e permeado pelo ocultismo.
Sempre que Angel encontra alguém que pode saber do paradeiro do cantor, essa pessoa acaba morta de maneira ritualística, e o culto ao satanismo parece ser base de toda carnagem.
Como um pesadelo, nada se encaixa e tudo é perturbador. Coração Satânico começa como um mistério policial e revela-se um thriller de magia negra.
Angel resolve o caso, e quando o faz, descobre que sabia a resposta mesmo antes de encontrar com Cyphre.
É um daqueles filmes em que após assistir, ainda ficamos um tempo revendo a trama em nossa mente, analisando as cenas iniciais com base nas descobertas finais.
Filme: Corpos Ardentes – Sexo e Assassinato
0Matty: Você não é muito esperto, não é mesmo? Eu gosto disso em um homem.
Ned: Do que mais você gosta? Preguiçoso? Feio? Excitado? Eu sou tudo isso.
***
Durante muito tempo depois de seu lançamento em 1981, “Corpos Ardentes” (Body Heat) foi mencionado como um aviso para os homens com tendências a relacionamentos extra-conjugais. Quando alguém comentava sobre uma loucura sexual, o outro logo respondia: “Cara, cuidado. Você não assistiu Corpos Ardentes?”. Bobagem, mas acontecia.
O filme, inspirado em Pacto de Sangue (Double Indemnity), noir de 1944, possui os ingredientes de noite, culpa, violência e paixão ilícita, sem muita cor, além de conter uma personagem feminina leviana, incomum em filmes naquela época.
Lançado em 1981, é a estréia de Kathleen Turner no cinema, interpretando Matty Walker, que percebemos ser o centro da força do filme desde sua primeira cena, momento em que conhece Ned Racine (William Hurt), um advogado bonito, preguiçoso, indolente e mulherengo de Miranda Beach, sem muita excitação na vida e presa fácil para uma mulher procurando um homem para cometer assassinato por ela, e ainda pensar que tudo foi idéia dele.
Emanando tamanha segurança sexual e fazendo um jogo de sedução que mais parece uma armadilha, Matty envolve Ned o suficiente para fazer dele o que quiser.
O clima quente é muito evocado no filme, os personagens estão constantemente suados, há incêndios e a sugestão de que o clima acende as paixões e encoraja a loucura. Contudo, Matty está sempre fresca, paciente e focada em seu objetivo.
Depois de muitas cenas de sexo e desejo entre os dois, está tudo correndo bem até que o assassinato do marido acontece. Ned criou um plano razoável e instruiu bem sua amante.
Mas Matty tem planos próprios e toma decisões sem avisar Ned, que a esse ponto não tem mais saída, já está preso em uma teia, e logo se torna suspeito do assassinato.
A trama sofre uma virada e o advogado vê sua carreira e vida em perigo.
O filme tem a participação de Mickey Roarke (O Selvagem da Motocicleta) ainda novo, em duas cenas rápidas, mas com uma atuação muito boa, nada daquele brucutu que vemos atualmente. Há quem diga que sua atuação foi melhor do que a dos protagonistas. Não concordo, porém eram todos atores pouco conhecidos na época.
Ted Danson (Três solteirões e um bebê) interpreta o advogado amigo de Ned, e Richard Crena (Rambo) é o marido traído e assassinado.
Escrito e dirigido por Lawrence Kasdan, roteirista de Star Wars – O Império Contra-Ataca e Caçadores da Arca Perdida. Para dar uma força ao seu protegido, George Lucas atuou como Produtor Executivo (não creditado) e só assim Hollywood deu atenção ao filme.
Para quem não se importa de ver filmes antigos, é um suspense quente com uma revelação inesperada no final, que cumpre aquilo a que se propõe, valendo os 113 minutos do nosso tempo.
O Vencedor – Superação dentro e fora do ringue
3Temos que admitir que Christian Bale é um ator versátil. Interpreta um psicopata engravatado, um super-herói, um operário perturbado ou personagens de filmes épicos, geralmente fazendo um sotaque diferente em cada papel.
Em “O Vencedor” Bale faz o papel de Dicky Eklund, um ex-lutador completamente “estragado” para não usar uma palavra pior, devido seu vício em crack, com uma aparência destruída e fala desconectada que impressionam.
O Vencedor é uma obra biográfica sobre o boxeador Irish Micky Ward, interpretado por Mark Wahlberg, e não foge à sempre aclamada receita de superação dentro e fora do ringue.
O papel de Bale é coadjuvante, mas sua atuação é tão forte que pensaríamos ser o protagonista, talvez feito propositalmente para demonstrar a dificuldade de Micky de sair da sombra das conquistas passadas do irmão, uma lenda na cidade onde moram.
O pugilista precisa sair do ninho, abandonar a influência da família por um tempo para poder adquirir perspectiva e vencer por si, já que tanto a mãe possessiva como o irmão drogado estão fazendo um péssimo trabalho gerenciando sua carreira e treinamento.
O filme é um drama esportivo realmente emocional e nos envolve até o final, com atuações excelentes de todo o elenco, garantindo Oscar de melhor ator coadjuvante para Bale e de melhor atriz coadjuvante para Melissa Leo.
Assista ao trailer legendado:

























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