Obama Feelings
Clientes fieis da taberna mais querida da podosfera, bem-vindos novamente à sua coluna semanal sobre quadrinhos. Nesta semana, vamos ser pragmáticos, chatos e incômodos (só que ao contrario) ao tratar de um assunto importante, mas não tão valorizado pela nossa cultura. O assunto da vez é política em quadrinhos.
Receio que eu precise comunicar ao leitor o motivo de estarmos tratando de política. Não vou defender partido nenhum, e que isso fique claro. Recentemente, o tão comentado reboot da DC Comics começou a tratar de todo o novo multiverso da editora. Um desses multiversos, a ser melhor desenvolvido sob as letras do renomado autor Grant Morrison, trouxe uma novidade, no mínimo, curiosa. Uma das terras do novo multiverso da DC possui um Superman negro. Até aí, o leitor deve pensar. “Ta, e daí? O objetivo não é ser um universo diferente?” Sim, tão diferente que esse Superman não é somente negro, mas um negro presidente dos Estados Unidos da América. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência?
Obama Feelings
Morrison quis mesmo fazer homenagem a Obama, um presidente que, sem dúvida, tem uma intensa participação na cultura e sociedade americana. Mais que isso, Obama parece ter um apoio muito grande no que se refere à arte seqüencial. Basta lembrarmos que ele não apareceu exclusivamente nessa homenagem do Morrison. A Casa das Idéias, a Marvel, também estampou Obama ao lado de seu herói mais popular, o Homem-Aranha. Difundido e comentado, o presidente está presente no universo das editoras.
E é nesse ponto que chegamos a um questionamento, amiguinhos. Até que ponto a política influencia as histórias que tanto lemos e gostamos? Como diria o Lula: “nunca na história desse país” um presidente foi tão comentado durante seu mandato nas histórias em quadrinhos. Fica ainda mais que claro que as editoras apóiam a política de Obama, e sabemos que nos EUA, a batalha de idéias se concentra em dois grandes pólos: o republicano e o democrata. Este último, do qual Obama é filiado.
É certo que, na maioria dos casos, a presença de Obama (como ele mesmo) dentro das histórias são pequenas homenagens, como um encontro celebre entre o personagem e a figura do presidente. Em outros casos, como aparenta ser o de Morrison, Obama ganha ares mais divinos, e sua participação é muito mais significativa para a história. De qualquer forma, sua influência aumenta no mundo real com sua presença em mais uma mídia, nesse caso, os comics. Afinal, ainda é possível dizer que as grandes editoras (cujos personagens passam ideais e lições de moral) não estão influenciando seu público inclusive no pensamento quando o assunto é política?
Finalizando: e no Brasil, vocês se recordam de algum caso que envolva os quadrinhos e a política nacional? Sem contar as milhares de charges e caricaturas que pipocam nesse meio. Qual o tipo de influência que encontramos por aqui?


























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